domingo, 7 de junho de 2009

A Crise e a Campanha dos Bancários







Alzumir Rossari*


O terremoto que atingiu o Sistema Financeiro internacional e a crise dele resultante com reflexos catastróficos nas economias dos países desenvolvidos (quedas acentuadas dos PIBs na faixa de 5% negativo) e por enquanto em escala um pouco menor nos demais países, salvo raras exceções, é o cenário que se encontra o mundo.


A globalização neoliberal construiu um mundo com economias bastante interligadas, acentuado processo de internacionalização das economias, enfraquecimento e endividamento dos Estados nacionais e sequelas sociais de alta intensidade. A acumulação e concentração de capital em uma ponta e o empobrecimento dos povos na outra.


Com a crise, uma onda jamais vista de fusões e incorporações acontece em esfera global, seja no sistema financeiro ou nos demais ramos da economia. Em muitos casos com a generosa participação dos Estados, outrora retratado como vilão dos problemas das economias. No Brasil o cenário não é muito diferente. Os reflexos da Crise por aqui, apressou o processo de fusões e incorporações no Sistema financeiro, liderados pelo Itaú e Banco do Brasil, mas que coloca em alerta todo o Sistema. A recente fusão da Sadia com a Perdigão indica que esse processo não se limita ao sistema financeiro.


O cenário de crise e de colapso do neoliberalismo vai nortear a nossa campanha salarial. Será uma campanha com elementos totalmente diversos das demais. A tarefa fundamental do sindicalismo classista primeiramente é perceber isso. Com os lucros menores que dos anos anteriores, os bancos deverão endurecer ainda mais o processo negocial, aliado a isso um índice inflacionário em queda retira outro elemento atrativo, pelo menos ilusório, de conquista. Mas nem tudo é negativo. Temos um elemento extremamente positivo, que exige alto grau de politização da militância e nisso podemos nos destacar sobremaneira, que é a ofensiva ideológica contra as concepções neoliberais e o fracasso de seu receituário, apontando saída para o conjunto da categoria. Esse fator pode, se trabalhado adequadamente, contribuir para ganhar corações e mentes para a campanha e em conseqüência para as nossas concepções.


A politização do debate, vai exigir do sindicalismo classista, domínio de questões sobre as crises capitalistas, especialmente a de 1929 e que perdurou por dez anos, retomar as teses neoliberais e demonstrar o seu fracasso, estudar e apresentar alternativas que passam por um projeto nacional de desenvolvimento, com valorização do trabalho, com melhor distribuição de renda, elevação dos salários, fim do fator previdenciário, proteção do emprego, enfim demonstrar que somente sairemos da crise com mais renda, trabalho, direitos sociais, trabalhistas e previdenciários, associados a um Estado que seja indutor do processo de desenvolvimento.


Alzumir Rossari – Bancário e Historiador. Presidente do Sindicato dos Bancários de Chapecó, Xanxerê e Região

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