segunda-feira, 1 de junho de 2009

CTB se destaca no 20º Congresso do BB


Paulo Vinícius*

A CTB participou com destaque do 20º Congresso Nacional dos Funcionários do Banco do Brasil, realizado de 24 a 26 de abril no Teatro dos Bancários em Brasília. A bancada classista participou com cara própria dos três dias de intensos debates e discussões, e deu uma grande contribuição à construção da pauta de reivindicações do funcionalismo que será levada para a mesa de negociação específica.

A defesa do caráter público do BB

O centro da ação da CTB no Congresso foi a luta contra as visões que negam o papel dos bancos públicos. A crítica ao viés predatório nas tarifas, ao assédio moral e à cobrança de metas abusivas e estranhas ao seu caráter público, a denúncia dos altos juros e à falta de uma política de crédito voltada ao setor produtivo para enfrentar a crise foram temas marcantes da intervenção da CTB no Congresso do BB. Longe de lamentar as mudanças que se impuseram para a ampliação do crédito a juros menores, a CTB defende o reforço do controle do Estado sobre o BB e os demais (CEF, BNB, BASA e BNDES) com ênfase no crescimento econômico, mas com distribuição de renda e valorização do trabalhador bancário.

Questionamento do papel da CONTRAF como confederação de todos os trabalhadores do Ramo Financeiro

Já na aprovação do regimento interno do Encontro, a CTB, representada por José Souza, presidente do Sindicato dos Bancários de Sergipe, levantou a polêmica sobre o caráter orgânico da CONTRAF como parte da CUT e a incompatibilidade deste com a representação de todos os trabalhadores do ramo financeiro, com a diversidade da representação bancária, que é mais ampla. Afinal, CTB, Intersindical, CONTEC e Conlutas não são parte da CUT, ainda que representem parte significativa da categoria. Ainda que refutada a proposição, a CTB expressou a opinião de todos estes setores e deixou claro que nossa presença nesses espaços não significa subordinação, afirmando ao mesmo tempo a posição classista de um sindicalismo de luta e sem alinhamento automático com governos.

Mesa única articulada com início imediato: um olho no peixe e um olho no gato

Ao contrário do expresso na tese da Articulação, que defendeu uma mesa quase exclusivamente voltada apenas para a pauta salarial, abandonando em grande medida os temas específicos, e também divergindo da posição do CONLUTAS, que defendeu o fim da mesa única, a CTB defendeu e conseguiu aprovar a Campanha Salarial unificada com mesas específicas concomitantes.

A CTB argumentou que as pautas específicas são fundamentais para a categoria. Tratar das condições de trabalho atrai os bancários à campanha salarial, assim como incluir questões sobre a isonomia entre os pós-98 e os funcionários antigos, condições de trabalho e temas como o plano odontológico da CASSI. Ademais, a CTB argumentou que a concomitância das bandeiras específicas e salariais é fundamental para reunir a maior força da mobilização. O inverso, ainda mais num quadro de crise, poderia desmobilizar lutas importantes e rebaixar as reivindicações da categoria. Propor nesta situação o fim da mesa única só serviria à divisão dos bancários, ao estímulo ao corporativismo e ao enfraquecimento da categoria ante às lágrimas de crocodilo dos banqueiros sob o discurso da “crise”.

O movimento sindical, mais que buscar saídas fáceis, é chamado a unificar as lutas de bancos públicos e privados em defesa do reforço do caráter público do sistema financeiro, por um índice de aumento salarial que reponha as perdas e por melhores condições de trabalho, e devemos pautar imediatamente as questões específicas.

Valorizar os dirigentes sindicais com transparência é fortalecer a democracia e a organização sindical
Também com o apoio da CTB, o debate sobre a valorização dos dirigentes sindicais, cuja existência já é fato em bancos privados e em outros setores, merece avançar nos bancos públicos, inclusive para enfrentar os estigmas que afastam os novos bancários do movimento, atemorizados ante as ameaças veladas de estagnação na carreira pela legítima organização dos trabalhadores. Ao desresponsabilizar as empresas e onerar os trabalhadores, pela defensiva política em avançar no direito à organização sindical num período tão democrático e por uma visão franciscana, que ignora as mudanças no perfil da categoria, ser contrário à calorização dos dirigentes sindicais só atrasa a luta. Está na ordem do dia avançar nesta seara nos bancos públicos.

Amplitude e independência fizeram diferença na aprovação de uma pauta avançada na Campanha Salarial de 2009

Ao contrário dos que esperavam uma postura servil ante o hegemonismo da Articulação, ou um alinhamento automático com todas as posições contrárias, a CTB mostrou independência e preocupação com o interesse maior dos bancários do BB. Nem adesismo, nem um oposicionismo cego, mas a defesa de uma pauta unitária que nos leve a vitórias. Com estas idéias dirigindo a política e a coordenação de nossa bancada, a CTB contribuiu com o êxito do 20° Congresso, preparando as condições para uma campanha vitoriosa. Agora é trabalhar duro e, com a mesma linha, mobilizar a categoria e mostrar que é possível ser de luta e defender com habilidade e firmeza os seus interesses.


Paulo Vinícius é bancário do BB, Cientista social e colaborador dos “Bancários Classistas”

Nenhum comentário:

Mais vistos

Arquivo

  ©Template by Dicas Blogger.

TOPO