terça-feira, 21 de julho de 2009

Crise, juros e Campanha Salarial


Hermelino Neto*

O Governo Lula demorou para admitir a existência da crise no Brasil, porém, ao cair na real, tem demonstrado empenho para dinamizar a economia, através da oferta de crédito no país. Embora os R$ 100 bilhões transferidos para os bancos, principalmente pelo compulsório, não se transformaram em crédito, mas foram utilizados na compra de títulos do governo para depois serem remunerados pela taxa Selic. Atitudes como essa só reforçam a falta de compromisso do sistema financeiro com a nação.

A crise não atingiu os bancos comerciais, que continuam lucrando e praticando, em média, as seguintes taxas anuais: pessoa jurídica - 68%, pessoa física - 110%, cheque especial - 166% e cartão de crédito - 220%. Atualmente, o endividamento familiar pode ocorrer através do empréstimo consignado, desconto em folha e compras a longo prazo.

O spread bancário praticado pelos bancos constitui um crime contra o pequeno empreendedor, contra quem necessita de empréstimo pessoal ou precisa comprar um produto financiado. A compra de um eletrodoméstico ou até mesmo de um automóvel em 80 ou 90 prestações revela-se um grande risco ao comprador, que pode pagar até o dobro do produto. Essa situação elevou e pode elevar ainda mais o endividamento das famílias, o que já ocorre com o aumento da inadimplência. É aí que mora o perigo da crise.

O governo tem que assumir uma postura mais ativa através do controle do Banco Central e tem como obrigação dinamizar os bancos públicos para forçar a baixa dos juros e aumentar a oferta de crédito. Segundo o Banco Central, a relação crédito/ PIB no Brasil atingiu 42,8% em maio deste ano, em alguns países ricos a relação crédito/PIB supera 80%. Democratizar o acesso ao crédito e baixar os juros são medidas que vão estimular o crescimento do país e diminuir as desigualdades.

Creio ser necessário e oportuno nesta campanha salarial envolver a sociedade nas nossas reivindicações (justas reivindicações), contudo, devemos incluir questões do interesse da população, como a redução dos juros. Além disso, defender os bancos públicos e o seu papel estratégico como agente regulador do sistema financeiro nacional e estimulador do desenvolvimento do país.


* Hermelino Neto é bancário do Itaú e secretário-geral da FEEB-BA/SE

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