terça-feira, 28 de julho de 2009

Plano Odontológico da Cassi: Os Classistas precisam agir

Rodrigo Cardoso*

A história da implementação do Plano Odontológico da Cassi remonta às negociações que permearam a reforma do estatuto da Caixa de Assistência. Não pretendo, aqui, rememorar em detalhes as opiniões dos Classistas sobre a Cassi, que nos levaram, coerentemente, a votar contra a reforma no primeiro sufrágio e “liberar a bancada” no segundo.

As ditas negociações contemplaram um compromisso do banco, divulgado pela Comissão de Empresa, com a implementação do Plano Odontológico assim que se atingisse o “equilíbrio financeiro” da Cassi.

Durante a Campanha Salarial de 2008 - provavelmente a mais mobilizada dos últimos anos, na qual os trabalhadores do BB tiveram uma participação marcante levados principalmente pelo mote dos 200 anos do banco - durante as negociações específicas com a direção, se ajustou que até junho de 2009 enfim se implementaria o Plano, o que foi saudado como uma vitória do movimento.

No Congresso do BB de 2009, a preocupação pela inexistência de avanços nas negociações levou a unanimidade dos delegados presentes a aprovar a luta pela imediata implementação do Plano.

No “O Espelho” do mês de junho, o Coordenador da Comissão de Empresa, Marcel Barros, em entrevista declara que estaria tudo pronto para a implementação, e que o Banco só não a faria se não quisesse.

Assim, foi uma surpresa geral na categoria o “anúncio”, no início de julho, que a Comissão de Empresa tinha assinado um novo acordo com o BB, prorrogando o prazo para janeiro de 2010.

Essa atitude tomada contrariando uma decisão expressa do Congresso dos funcionários do BB ocorrido menos de dois meses antes atenta contra o mínimo de representatividade democrática que deveria nortear o Movimento Sindical. Se a direção do Movimento avaliava de uma forma diferente devia discutir no Congresso e buscar aprovar sua opinião.

Porém, esse episódio apenas revela algo que tem sido uma prática corriqueira da ARTBAN. Deixa os Congressos aprovarem o que a base quer, desconsiderando tudo nos encaminhamentos práticos.

Isso denota não só um desrespeito flagrante às instâncias deliberativas da categoria, mas principalmente uma estratégia deliberada de desmoralização das negociações específicas no BB.

O fantasma da ARTBAN é uma luta específica com mobilizações específicas no BB, como ocorreu na CEF em 2007. Não é à toa que, no Congresso dos Funcionários do BB desse ano, chegou a apresentar como proposta em sua tese a suspensão das negociações específicas durante a Campanha Salarial 2009. Porém, como a rejeição a essa proposta se destacou em todos os debates, recuaram, antes mesmo da Plenária Final.

Repetindo-se o que ocorreu nos últimos anos, e encaminhando-se a opinião da ARTBAN, mesmo sendo contrária à decisão de um Congresso na qual ela era maioria, talvez o seu objetivo seja alcançado. Talvez a mobilização no BB não seja tão grande esse ano e menor ainda no seguinte, ano de eleições gerais.

Se isso é coerente com o governismo cutista da ARTBAN, não pode ser com a autonomia dos Movimentos Sociais defendida pela CTB e marca histórica dos bancários classistas.

É preciso unificar uma posição e um discurso responsável entre nós, coerente com nossa concepção de sindicalismo e com a combatividade classista que tem sido a tônica de nossa história.

Rodrigo Cardoso é bancário do BB e Secretário Geral do SEEB-Ilhéus, Ba.

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