domingo, 2 de agosto de 2009

Desafios da Campanha Salarial

Hermelino Neto*

Na construção da campanha salarial dos trabalhadores do ramo financeiro deste ano, já ultrapassamos algumas etapas: congressos do BB, CEF, BNB e as Conferências Interestadual BA/SE e Nacional , além de reuniões do Comando Nacional dos Bancários com a Fenaban para tratar de um novo modelo de PLR (Participação nos Lucros e Resultados).

Dentre os eventos, quero destacar a Conferência Interestadual, pautada por debates e importantes decisões, que aprovou propostas avançadas, dentre elas destaco: Aumento real de salário, fim das metas e por melhores condições de trabalho, contra o assédio moral, estabilidade para os lesionados, isonomia para todos os empregados, reposição das perdas salariais, garantia de emprego, redução dos juros e índice de 15% (inflação do período mais aumento real), etc. Estas propostas foram aprovadas por bancários ligados a CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil) e outras correntes.

Infelizmente, a Conferência Nacional mais uma vez frustrou os participantes, prevaleceu o rolo compressor e o atropelo por parte da corrente Articulação Sindical, força majoritária da CUT (Central Única dos Trabalhadores). Esta corrente impôs a sua vontade ao excluir do debate questões importantes como isonomia, reposição das perdas, fim das metas e ao aprovar o índice de 10% de reajuste. Esta postura, além de ser equivocada, diminui a possibilidade dos empregados dos bancos públicos de compensarem prejuízos passados.

O lucro líquido do BB, CEF, Bradesco, Itaú-Unibanco, ABN-Santander e HSBC, em 2004, foi de R$ 13,61 bilhões, contra R$ 34,42 bilhões em 2008, variação positiva de 152,90%. No mesmo período, a inflação foi de 29,36% (INPC-IBGE), obtivemos 38,80% de reajuste, destes 7,3% foram ganho real. Portanto, apesar de avanços nas últimas campanhas salariais, ainda é muito distante se comparados à alta lucratividade dos banqueiros, de forma que exige de nós participação efetiva para alcançarmos novas conquistas.

* Hermelino Neto é bancário do Itau-Unibanco e Secretário Geral da Federação dos Bancários BA/SE

Fonte: www.feebbase,com,br

Um comentário:

Anônimo disse...

Caros senhores, representantes da classe trabalhista e dos sindicatos dos Bancários.

Bom dia,

Venho entrar em contato para poder expor minha opinião sobre o ajuste salarial deste ano, baseado na análise matemática em paralelo com o salário mínimo nacional, e ficou evidenciado que em um período de 5 anos, houve uma perda real de um salário mínimo no salário base dos bancários, esta perda lhes demonstro abaixo em uma tabela simples, onde é analisado a correlação do salário mínimo nacional com o salário base dos bancários e uma análise do percentual de aumento em relação ao salário mínimo.
Foi tomado como base o valor informado nas convenções coletivas de trabalho de 2004 a 2009 e o salário mínimo do mesmo período.

Portanto senhores, baseado na tabela acima, podemos ver claramente a perda ocorrida no período de 2004 a 2008, onde praticamente temos a perda de um salário mínimo, e que é claramente sentido pelos bancários no seu dia a dia, desde já informo que estou ciente das revindicações para a campanha deste ano:
Índice de 10% (reposição da inflação mais 5% de aumento real)
PLR de três salários + R$ 3.850
Tíquete-refeição R$17,52 ao dia
Cesta-alimentação R$ 465 ao mês (um salário mínimo)
13ª cesta-alimentação R$ 465 ao mês (um salário mínimo)
Auxílio-creche/babá R$ 465 ao mês (um salário mínimo)
Valorização dos pisos com base no salário mínimo do Dieese
Portaria R$ 1.432
Escriturário R$ 2.047
Caixa R$ 2.763
1º Comissionado R$ 3.477
1º Gerente R$ 4.605
Contratação de toda remuneração (inclusive a parte variável, com o objetivo de acabar com imposição de metas abusivas)
Sociais
Plano de Carreira, Cargos e Salários (PCCS) para todos, construído
a partir de negociação com os representantes dos trabalhadores
Garantia de emprego
Ampliação da licença maternidade para seis meses
Auxílio-educação para todos
Mais segurança bancária
Fim do assédio moral



Portanto se for conquistado o piso sugerido para caixa, R$ 2.763,00, e mais os 10% de aumento, estaremos tendo um ganho real.
Sei também, por lógica e campanhas anteriores que estes valores são lançados para abrir negociação e que nenhum deles é garantido até a ser firmado o acordo final. Por isso venho através deste documento chamar a atenção as perdas ocorridas com o salário e poder de compra de nós bancários, e expor a minha opinião sobre o que seria o piso mínimo aceitável, para nós trabalhadores do ramo bancário.

Salário base caixa = no mínimo R$ 1560,08 ( 3,05 salários mínimos para igualar ao período de 204/2005 mais 10% de aumento ( Reposição da inflação mais 5% de aumento real ).

Um valor acordado final, abaixo desse piso fará com que os bancários continuem sofrendo a perda financeira que vem se acumulando desde 2004, e com isto, gerando perda de poder aquisitivo, afetando o dia a dia dos bancários, na parte econômica, social, de lazer, de saúde (aqui se inclui o estresse e as preocupações geradas pelo baixo poder aquisitivo e problemas gerados no âmbito familiar.).
Espero encarecidamente que minhas observações tenham algum valor e utilidade para uma melhoria na renda de nós bancários, desde já agradeço a atenção.

Atenciosamente

Bancário Revoltado e em Luta.

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