segunda-feira, 28 de setembro de 2009

A greve dos bancários e a truculência de quem se tornou patrão


J. Tramontini*

Mais um ano, mais uma campanha salarial, mais uma greve. Essa tem sido a rotina dos bancários, que têm data base em setembro.

Mesmo com toda a lucratividade das instituições financeiras, os banqueiros, inclusive o governo federal, insistem em reduzir direitos e arrochar o salário dos bancários. Em 2009, em que pese a rebaixada pauta de reivindicações, os bancos mantiveram sua costumeira intransigência.

No entanto, há algumas novidades. As assembleias que deflagraram a greve, realizadas na quarta-feira, 23 de setembro, contaram com uma presença muito maior de trabalhadores, o que é um sinal novo bastante positivo.

Mas como nem tudo são flores, também há péssimas novidades. O governo do presidente-operário parece que aprendeu bem a lição de casa com a banca privada. Dessa vez, a Caixa Econômica Federal, instituição 100% pública e onde os bancários encontram-se mais mobilizados resolveu voltar no tempo, relembrando a finada ditadura militar.

Por ordem de Brasília, já no primeiro dia da greve, seguranças, inclusive armados, foram postados nos edifícios da CEF, sedes nos estados, com objetivo de impedir, à força, a greve da categoria.

Inacreditável é, no governo do presidente-operário, eleito com o voto dos trabalhadores, também da grande maioria dos empregados da Caixa, a empresa tomar essa postura ditatorial.

Na mesa de negociação não se apresenta absolutamente nada e na porta das unidades Brasil afora, a Caixa apresenta seguranças para tentar obrigar os bancários a trabalhar, na marra.

Como se não bastasse a violência desse ato em si, Brasília ainda encaminhou em cada local, por via judicial, o pedido de interdito proibitório, instrumento jurídico muito utilizado por latifundiários e pelos banqueiros privados para manter seus privilégios.

Impondo impagáveis multas aos sindicatos, a Caixa pretende calar a boca de seus mais de 80mil empregados, que são diariamente submetidos a duras condições de trabalho, pela pressão, assédio, falta de funcionários e salários achatados.

Obviamente, a Caixa, empresa pública que é, não faz isso sem a anuência do governo federal, do presidente-operário, que se fez nas grandes greves de 30 anos atrás.

Fica claro, portanto, qual é a postura do governo, por intermédio da Caixa, não atender a nada das justas reivindicações dos trabalhadores, mesmo que seja pela violência.

Para todos os bancários, em especial os da Caixa, só há uma alternativa possível, endurecer e ampliar a greve nacional. Exigindo o fim da violência e a retomada das negociações. Não só para conquistar um reajuste decente a toda a categoria, mas fazendo com que o governo do presidente-operário, finalmente, lembre de onde veio, atendendo às demandas por justiça dos trabalhadores, para o qual foi eleito.


J. Tramontini é dirigente do Sindicato dos Bancários de Curitiba e membro  da Coordenação Nacional dos Bancários Classistas

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