quarta-feira, 21 de outubro de 2009

A greve na Caixa: seus limites e avanços

Emanoel Souza de Jesus*



A reunião do comando que se encerrou há poucas horas atrás infelizmente está apontando para a aceitação da proposta da Caixa e fim da greve. As representações de apenas 6 estados se posicionaram contra a proposta, BA, SE, RS, SC, ES e PA.

A CTB, juntamente com a Intersindical, a Conlutas e a CSD (uma corrente interna da CUT) sustentou a posição de que se mantivéssemos a unidade do Comando Nacional no sentido de indicar a continuidade da greve, mesmo com todo o cansaço da categoria depois de 28 dias em greve, poderíamos avançar um pouco mais, ao menos na conquista da Licença Prêmio (mesmo que apenas para gozo), o que em nossa opinião representaria uma grande vitória no sentido de avançarmos na direção da conquista da isonomia.

Infelizmente fomos vencidos. Acredito que a proposta terá dificuldade para passar em vários estados, dai a necessidade de construirmos grandes assembléias no dia de hoje de forma a estabelecermos um debate de qualidade.

Se as bases se rebelarem e mantiverem a greve em um bom número de estados poderemos alcançar outro patamar na nossa luta. Depois de vencer o cansaço, as manobras da empresa e o terrorismo feito pela Caixa (e por muitos dirigentes sindicais) com a ameaça de dissídio no TST, a categoria estaria dando uma prova cabal do seu amadurecimento.

Contudo, se for para continuar a greve apenas em um poucos estados, seria um equívoco mantê-la, pois estaríamos expondo exatamente os segmentos mais mobilizados à uma retaliação por parte da empresa.
Precisamos deixar claro para o conjunto da categoria que não defendemos o TST, em nenhuma hipótese, como saída para o impasse. O tribunal é parte do aparato de Estado e instrumento de dominação de classe, por tanto em última instância estará sempre contra os trabalhadores.
 

No entanto, não podemos sucumbir a mais uma manobra da direção da Caixa que todos os anos ameaça com o TST para por fim à greve e leva um grande número de sindicalistas a entrar em polvorosa querendo achar uma saída para greve, qualquer que seja ela.
 

Não podemos nos submeter a mais está chantagem. Se a direção da Caixa quer mesmo levar a greve a julgamento e derrotar a categoria ela tem que assumir o ônus de sua postura. Tal movimento levaria a empresa à ingovernabilidade e eles bem sabem disto.
 

O exemplo é que muitos dos assombrados com o TST já queriam aceitar a proposta no dia 08.10, junto com a Fenaban e BB. A greve prosseguiu. A direção da Caixa urrou, berrou, ajuizou dissídio, mas teve de chamar para negociar às vésperas da audiência de conciliação e apresentar alguns avanços (mesmo que insuficientes) na sua proposta.
 

Penso que se o Comando mantivesse a sua unidade e permanecesse firme tensionando poderíamos ter avançado ainda mais.
 

A greve da Caixa deste ano também recoloca na ordem do dia o nosso modelo de campanha salarial. A mesa única representou um avanço e o crescimento expressivo dos bancários da rede privada na greve deste ano demonstra isto. Contudo, ela só pode se manter se valorizarmos prá valer as mesas específicas e garantirmos o funcionamento concomitante das mesmas.
 

Foi o que ocorreu no BB que conquistou na prática 9% de reajuste (para quem reivindicava apenas 10% foi uma vitória expressiva), uma PLR mais "gorda" e algumas reivindicações especificas.
Na Caixa, mais uma vez ficou evidenciada que a categoria não se submete à manobra de ver a empresa escondida atrás da mesa da Fenaban e intransigente na mesa específica.
 

Ou o movimento sindical bancário enfrenta está questão de frente ou o modelo não se sustenta na forma em que está.
 

Por último, antes de estabelecermos o debate estéril de definir se a culpa é desta ou daquela corrente, temos que nos debruçar sobre um fenômeno que vem se repetindo nas greves da Caixa. Temos um movimento forte, com a grande maioria das agências fechadas, porém sem a mobilização explicita da categoria, que permanece na sua maioria em casa, acompanhando o movimento pela internet. Esta postura facilita a manobra da direção da empresa que joga com o cansaço.
 

Quando temos a categoria mobilizada e presente nas assembléias não há manobra, de quem quer que seja, capaz de derrotar o movimento. Provamos isto em algumas campanhas passadas e mesmo nesta, em certos momentos. Dai a necessidade de resgatarmos a greve militante que em outros tempos nos conduziu a vitórias expressivas.
 

Agora, caso não seja possível dar continuidade à greve, precisamos retomar imediatamente os esforços para construirmos um grande movimento de massa dos pós-98, independente de qualquer corrente ou mesmo de qualquer entidade (todas as que quiserem apoiar serão bem vindas) em torno da Isonomia, bem como no sentido de estruturarmos a eleição de delegados sindicais e dos cipeiros (uma conquista importante desta greve) e de mantermos a categoria mobilizada para garantirmos que a Caixa implemente um novo PCC mais justo e equilibrado.

*Emanoel Souza de Jesus é presidente da Federação dos Bancários da Bahia e Sergipe, membro da Coordenação Nacional dos Bancários Classistas e integrante do Comando Nacional dos Bancários

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