sábado, 3 de outubro de 2009

O Bancário, o Padre e o Camarão


Elvira Madeira*

Antigamente se media a importância de um evento pelo cardápio servido na refeição. Se era um jantar em casa de amigos, almoço de negócios, ou pedido de noivado, chique mesmo era pedir camarão! Camarão era chique, era caro, e tinha toda a pompa e o status de um evento de grande relevo, poderoso era daquele que fazia aniversário e servia camarão. 

Da mesma forma, família chique, tradicional, daquelas importantes com foto na sala e reunião aos domingos, tinha que ter dentre os seus muitos membros, ao menos um padre e um bancário, o religioso garantia na família o status de respeitosa, imprimia uma credibilidade religiosa, quase santa, um orgulho só. E o bancário, nem se precisa dizer, era o bem sucedido, o engravatado, chique, pomposo, do ramo financeiro, que ganha bem e garantiu o futuro, até pra geração seguinte...

Mas nos dias de hoje, o “elo de ligação” (perdoem-me a redundância), destes personagens se faz bem menos pomposo e elegante. O bancário, nos dias de hoje, continua engravatado, pela exigência da empresa, se veste bem, sorri bem, e sua escondido quando anda angustiado porque não atingiu a meta de venda do mês. O bancário moderno tem pinta de chique, por isso esconde que ganha, quando ingressa, um tantinho mais de que dois salários mínimos, e que vai “se escapando” da vida às custas dos tantos muitos auxílios que ganha, é auxilio creche, auxilio curso superior, auxilio curso de línguas, auxilio refeição. Isso praquele que deu a sorte de trabalhar no banco que tem um monte de auxílios, e no dia do pagamento, com seu ticket apertado suspira pelo camarão que sabe que não pode comprar.

Por estes tantos motivos, explica nos piquetes que sua gravata comprada à prestação, no crediário, é fruto da ausência daquele mesmo piso salarial que ele não cansa de falar. Que seu auxílio refeição, que o banqueiro não quer reajustar, não acompanha a inflação da comida que ele tem que almoçar. Que se ele está cansado, com LER, adoentado, com o juízo preocupado e os dedos todos inflamados, é porque não tem outro bancário para com ele agüentar. Aí o cliente fica na fila, reclamando com razão, porque o banco não oferece condição de funcionar, e quando chega o atendimento, sofre com o juro alto, com o bancário estressado, com o produto empurrado que ele não quer comprar.
E paga o cliente, paga o bancário, paga o gerente e o funcionário. Só o banqueiro não quer pagar.

E o Padre? Bem, para o padre, o bancário desta história, como o cliente e o funcionário, o gerente e o estagiário, tem muito mesmo é que rezar.

TODOS À LUTA!
TODOS À GREVE!
TODOS ÀS ASSEMBLÉIAS!

Pelo piso salarial. Por isonomia. Por dignidade.

Pela valorização do Bancário!

Nada segura o trabalhador unido!


Elvira Madeira é Secretária de Ação Sindical do Sindicato dos Bancários do Ceará e colaboradora do Bancários Classistas

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