sexta-feira, 16 de outubro de 2009

O que garante acordo bom é a categoria mobilizada

Em entrevista para o Portal da CTB José Souza, presidente do Sindicato dos Bancários de Sergipe diz que continuidade da greve se deu pelo não atendimento das reivindicações específicas


Foto: Jorge Monteiro
jos_souza_-_presidente_do_seebA greve dos bancários em Sergipe continua por tempo indeterminado no Banco do Estado de Sergipe (Banese), na Caixa Econômica Federal e  no Banco do Nordeste, mas acabou no Banco do Brasil e  bancos privados. O percentual de reajuste reivindicado pela categoria é de 10%, mas só foi oferecido inicialmente 4,5% e depois 6%. “A continuidade da greve se deu pelo não atendimento das reivindicações específicas, que são feitas banco a banco. Não é possível discussão específica na mesa geral, da mesma forma que não é possível negociação geral em mesa específica”, explicou José Souza, presidente do Sindicato dos Bancários de Sergipe - SEEB/SE.



Os bancários do BB e dos bancos privados decidiram aceitar a proposta apresentada pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) de reajuste salarial de 6% e aumento na Participação nos Lucros e Resultados (PLR) para a categoria, e retornaram ao trabalho. Sendo que, na negociação específica do BB, os bancários receberam 3% a mais no salário base.


Na Caixa Econômica, continuam paradas 20 das 21 agências existentes no Estado; no Banco do Nordeste, continuam paralisadas as mesmas 14 agências do início da greve, no dia 24 de setembro. No Banese, das 15 agências que estavam paradas na última sexta-feira (9), apenas três estão de forma parcial.


Nesta quarta-feira (14), tem assembleia, às 17 horas, na sede do Sindicato dos Bancários, para avaliar as novas propostas apresentadas pelos bancos. “Se houver propostas boas, deliberaremos. Se chegar proposta ruim, não deliberaremos. O sindicato, diferente das empresas, é transparente. É de vidro. Nossas decisões são abertas, entretanto, as empresas combinam suas estratégias entre quatro paredes, às escondidas”, disse José Souza.


Na terça-feira (13) houve nova reunião de negociação com a Caixa Econômica, mas o Comando Nacional dos Bancários considerou, mais uma vez, insuficiente a proposta apresentada. E a Contraf (Confederação dos Trabalhadores no Ramo Financeiro) orientou a continuidade da greve na Caixa. No Banco do Nordeste, diante da insensibilidade da direção do BNB, que insiste em não apresentar proposta que atenda às necessidades de seus trabalhadores, a Comissão Nacional e a AFBNB orientam pela continuidade da greve.


Ontem, também, o Banese enviou uma proposta para o Sindicato, que foi considerada pela direção como mais uma enrolação da direção do banco. Diante disso, a orientação é intensificar a greve para que o banco mande uma proposta justa para que os baneseanos possam votar ao trabalho. Veja entrevista na íntegra de José Souza ao Portal da CTB:


Portal – Qual a avaliação do Sindicato em relação ao retorno dos funcionários do Banco do Brasil e dos bancos privados?


José Souza - Podemos comparar uma greve como uma operação complexa. Tem que ser iniciada no momento certo e encerrada também no momento correto. Foi assim que se deu a volta ao trabalho no Banco do Brasil e nos privados. A greve nos privados tem um índice de adesão obstruído pela ação truculenta desses bancos, apesar deles todos realizarem campanhas de mídias maravilhosas. Falam de desenvolvimento sustentável. Tudo fogos de artifícios, enganação. No caso do Banco do Brasil foi diferente. O BB, que recém conquistou a liderança no mercado, ficou esperto. Cobriu a proposta da Fenaban e deu mais 3%, perfazendo um ganho real de 4,5%. Em resumo, considero que os bancários avaliaram o momento de certo de retornar e, o que é melhor, com uma vitória.


Portal – Por que a greve não acabou também Banese, Caixa Econômica e Banco do Nordeste?


JS - Os motivos da continuidade da greve nesses bancos são o não atendimento das reivindicações específicas, que são feitas banco a banco. Não é possível discussão específica na mesa geral, da mesma forma que não é possível negociação geral em mesa específica. Por exemplo: estamos discutindo a atualização dos Planos de Cargos e Salários dos bancos. Isso não possível ser feito na mesa da Fenaban.


Portal – Em qual banco está mais difícil a negociação?


JS - A negociação é difícil em todos os bancos. Há alguns em que a dificuldade é maior: o Bradesco, por exemplo. Este banco faz campanha de mídia que deixa as pessoas completamente extasiadas. Passam uma imagem de um mundo cor de rosa. Falam em desenvolvimento sustentável etc., mas tratam seus empregados e o movimento sindical com truculência. E tem ainda o Banese, que não faz a negociação com seriedade. Trata-se do banco estadual, cujo controle acionário é do Governo do Estado de Sergipe, porém, sua diretoria se comporta como se estivéssemos na década de 90. Em alguns momentos, a diretoria do Banese envereda por inverdades.


Portal – Existem avanços com relação às minutas específicas?


JS - Sim e não. No caso do Banco do Brasil, houve avanços. Já nos casos dos três bancos em greve (Banese, BNB e Caixa), não. Mas não houve avanços e, em razão desse fato, houve a manutenção da greve. Os motivos são vários. Uma coisa determinante dessa postura é a questão da taxa de lucro que é da natureza do capital. É aí que entra a ação do sindicato. Precisamos ter uma visão global.


Portal – Como o senhor avalia o movimento de greve deste ano?


JS - Como vitorioso. Veja que somos trabalhadores do ramo financeiro. O ramo mais poderoso da economia. Que ganha mais do que o ramo de energia e petróleo. Banqueiros ganham muito e pagam mal, e não têm responsabilidade social. A greve foi uma demonstração inequívoca de que quando os trabalhadores se organizam a vitória é certa. Só existe negociação exitosa com a categoria mobilizada. A greve só tem reforçado essa lição.


Portal – O que será discutido na  assembléia que será realizada hoje?


JS - Discutiremos encaminhamentos de acordo com o que se apresentar. Se houver propostas boas, deliberaremos. Se chegar proposta ruim, não deliberaremos. O Sindicato, diferente das empresas, é transparente. Nossas decisões são abertas. As empresas combinam suas estratégias entre quatro paredes, às escondidas.   O Sindicato é de vidro.


Portal – O senhor acha que poderá haver acordo?


JS - É da natureza do movimento sindical fazer acordo. Sindicato não pode ter preconceitos. Faz acordo com o patrão, por mais miserável e truculento que ele seja. Mas, repito, o que garante acordo bom é a categoria mobilizada. O resto é conversa fiada.


Com apoio de Edivânia Freire editora do Jornal Resistência 

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