quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Uma nova estratégia?

Alex Livramento*


A greve dos empregados da Caixa Econômica Federal completa hoje 28 dias. Praticamente um mês de luta por parte dos empregados e um mês de intransigência e desrespeito por parte de sua direção.

Desrespeito não só ao corpo de empregados, mas desrespeito com a população brasileira, principalmente aquela mais carente dos serviços da empresa. Nada muito diferente de gestões anteriores, como a de Sérgio Cutolo, Emilio Carazzai, Danilo de Castro, Álvaro Mendonça e até mesmo de Paulo Maluf (para quem não sabe, Maluf foi presidente da Caixa indicado pelo governo militar).

Esta postura da direção da Caixa era esperada, sem dúvidas, pois é posição de empresa que reza nas cartilhas da “moderna administração”, onde despesa com funcionalismo é encarada como GASTO e não como INVESTIMENTO. Análoga posição da Previdência Social quando afirma que é “déficit” aquilo que na realidade é despesa com proteção social.Ao invés de investir em negociações sérias e propostas condizentes, a postura da direção da Caixa foi semelhante a dos bancos particulares: reforço da segurança, interditos proibitórios, ameaças de descomissionamento (até para os caixas), culminando em intervir na organização dos trabalhadores, orientando seus prepostos a acabar com a greve a todo custo e finalmente com a ida ao TST.


Tais atitudes não combinam com a alcunha de empresa pública, nem mesmo com sua missão e seus valores. Se anos atrás tais atitudes podiam ser vinculadas à famosa “herança maldita”, hoje tal argumento não mais se sustenta, pois tempo hábil teve a atual direção para mudar a postura da Caixa. 

Se não o fez, das duas uma: ou por incompetência ou porque o próprio Governo Federal não a demandou. Ou melhor, das duas, as duas.

Proposta ou insulto? 


Para que a direção da Caixa fosse coerente com sua conduta, nada mais natural que a proposta apresentada na última noite repetisse o insulto das últimas negociações.

A política de abono já mostrou no passado recente o quanto é nefasta, responsável inclusive por nossas perdas salariais. Além do abono, a mesma PLR. Sabemos que estes pagamentos únicos representam um alívio imediato, solucionando muitas vezes vários problemas financeiros do bancário, mas por serem únicos, seu resultado é efêmero. É como tratar gastrite com sal de fruta.


A única parte boa da proposta é a contratação de 5000 novos colegas. Mas nada garante que será materializada.

Uma nova estratégia?
 

Precisamos avaliar nossos meios de luta. A greve da Caixa já dura 28 dias, mas na verdade metade disto foi gasto para que a Fenaban apresentasse o índice rebaixado de 6%. 

Não é viável termos que esperar a decisão da Fenaban para só depois iniciarmos nossas negociações específicas, ficando isolados na greve. 

E pior, partindo de um patamar baixo já definido, lutando para “arrancar” alguma coisa, com o sentimento de que toda a pauta aprovada no Conecef já não existe mais. 

Os bancários da Caixa devem refletir muito sobre isto e tomar a campanha salarial em suas mãos.

*Alex Livramento é empregado da Caixa, dirigente do Sindicato dos Bancários de São Paulo e membro da coordenação nacional dos Bancários Classistas

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