segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Adilson Araújo avalia atuação da CTB Bahia

A CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil) vem consolidando seu trabalho como uma entidade atuante e determinada na defesa dos interesses dos trabalhadores. Na Bahia, no campo e na cidade, o sindicalismo classista levanta a bandeira de um novo projeto de desenvolvimento nacional e intensifica as lutas elevando o protagonismo da classe trabalhadora. 

O bancário Adilson Araújo, Presidente da CTB Bahia, fala dos desafios e perspectivas para o sindicalismo em 2010.

CTB - Quais são os principais desafios da CTB?
Adilson Araújo - A Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) vive um momento impar, de intensificação das lutas na defesa das conquistas e direitos dos trabalhadores e trabalhadoras. A CTB propõe um tipo de sindicalismo autônomo e independente, sem vínculos com governos e patrões, participa do novo estágio político apostando no protagonismo da classe trabalhadora, em especial, a defesa de um novo projeto de desenvolvimento nacional que tenha como centro a valorização do trabalho e do trabalhador.

CTB - Quantas entidades sindicais participam da CTB, e quais são as metas para 2010?
AA São 300 entidades filiadas. Indiscutivelmente a CTB reúne a maioria das entidades sindicais no Estado da Bahia. Com a participação da Fetag (Federação dos Trabalhadores em Agricultura), importante entidade na base da Central, nossa perspectiva se amplia. Penso que a nossa meta deve ser ousadia, autonomia e luta.

CTB - Qual a representação da CTB no campo?
AANa CTB Bahia os trabalhadores e trabalhadoras rurais têm um peso importante, um espaço de destaque. São mais de 200 o número de sindicatos rurais; Isso reforça a nossa luta pela reforma agrária e pelo fortalecimento da agricultura familiar.

CTB - Além dos rurais, quem mais soma força com a Central?
AAEstão presentes na CTB sindicatos de trabalhadores e trabalhadoras da construção civil, comerciários, bancários, indústria metal mecânica, borracheiros, setor da alimentação, educação, médicos, saúde pública, enfim, um universo de entidades que cumprem um papel estratégico na organização, influência social e intervenção política.

CTB - A CTB só participa da luta dos trabalhadores?
AA Não! A CTB é uma central sindical de trabalhadores e trabalhadoras, mas embora o nosso papel seja o de representar, organizar e conscientizar a classe trabalhadora mantemos uma política ampla. Para a CTB os sindicatos devem realizar um verdadeiro mergulho nos movimentos sociais. A Central Sindical compete a organização dos ativos, sem perder de vista o sentido da solidariedade aos aposentados, desempregados, excluídos e marginalizados na sociedade. A CTB é uma entidade parceira dos movimentos sociais.

CTB - Fazer sindicalismo, hoje, é pensar o mundo de forma diferente. O que a CTB propõe?
AAEstamos buscando uma intervenção mais ampla, influenciando no debate mundial. Fizemos a opção de atuar na Federação Sindical Mundial e vamos disputar nosso espaço nessa organização contribuindo com a sua plataforma, fortalecimento, e, sobretudo, na construção de uma agenda mundial, que defenda os trabalhadores e aponte para o rompimento com o neoliberalismo, que denuncie as mazelas do capitalismo e abra um tempo novo, de desenvolvimento, integração e soberania.

Num mundo globalizado, aspectos e mudanças que sugerem vantagens ou prejuízos, que possam ocorrer nos Estados Unidos, França e Canadá vão repercutir por aqui, a exemplo do que ocorreu com a grave crise econômica, que podou milhares de postos de trabalhos no Brasil. Tudo isso, exige respostas urgentes e mais articuladas, uma intervenção mais dinâmica do movimento sindical. Acredito que a construção de uma Rede Mundial dos Trabalhadores e Trabalhadoras, unitária e solidaria, será capaz de responder os desafios da nova ordem econômica mundial.

CTB - Em 2009 a CTB enfrentou várias batalhas, quais foram as principais lutas e conquistas?
AAForam muitas as lutas travadas este ano, destaco a nossa participação na Mudança do Garcia no Carnaval, o lançamento da Cartilha da Mulher Trabalhadora, a realização do Primeiro de Maio da CTB em diversas cidades, as mobilizações em defesa do emprego no enfrentamento à crise econômica mundial, o Dia Nacional da Consciência Negra, as vigílias no aeroporto para pressionar os deputados a votar pelo reajuste dos benefícios dos aposentados e pensionistas e pelo fim do fator previdenciário, os protestos nas Agências da Previdência Social, em defesa da Previdência Pública e contra as altas pré-datadas, com grande repercussão na imprensa, a inovadora e criativa iniciativa do Sindicato dos Médicos que combinou as reivindicações da categoria a realização da 1ª Corrida dos Médicos que mobilizou mais de 1500 participantes, as campanhas salariais e greves de diversas categorias.

A atuação da CTB nos fóruns e conselhos tripartites garantiu visibilidade e reconhecimento nos espaços institucionais. Ressalta-se ainda, a suspensão da privatização da BR 101, tendo a CTB Regional Sul o principal protagonismo, e as conquistas sindicais, no Sindicato dos Metalúrgicos de Camaçari, a presença do Núcleo Sindical de Base no Sindicato dos Rodoviários, e a extraordinária vitória no Congresso da Assufba que aprovou a desfiliação da CUT e o ingresso na CTB. Isso é apenas parte de tudo que coletivamente construímos.

CTB - Quais as perspectivas para 2010?
AA - Apresentar para os trabalhadores uma plataforma classista de luta. Esta na ordem do dia intensificar a batalha pela redução de jornada de trabalho, sem redução de trabalho. Lutar pela construção de um novo projeto de desenvolvimento para o País. Garantir participação direta e ativa na consolidação de uma maioria política, elegendo um time de parlamentares vinculados e comprometidos com a democracia, o combate as desigualdades sociais, e a ampliação dos direitos trabalhistas. Intensificar a luta pela valorização do servidor público, universalização dos serviços públicos, fortalecimento do SUS - Serviço Único de Saúde, geração de emprego e renda, em especial, emprego para a juventude.

Enfim, 2010 torna-se um ambiente fértil para ganharmos as ruas apresentando nossas reivindicações pela ratificação da Convenção 151 da OIT, que garante a negociação e o direito de greve no serviço público, a ratificação da Convenção 158, que proíbe a demissão imotivada, a valorização das aposentadorias e pensões, e decisivamente, o fim do famigerado fator previdenciário.

Nenhum comentário:

Mais vistos

Arquivo

  ©Template by Dicas Blogger.

TOPO