sábado, 20 de fevereiro de 2010

Para FHC, um remedinho para memória curta

Carlos Alberto Bezerra*

Em matéria veiculada em alguns dos grandes jornalões do País no último domingo, dia 07/02, o ex-presidente da República, Fernando Henrique Cardoso destacou entre outras situações a questão do tratamento dispensado por ele aos bancos públicos à época do seu governo.

Seria importante clarear aqui qual era a situação de alguns bancos públicos, especialmente Banco do Brasil (BB) e Caixa Econômica Federal (CEF), no início do governo de Fernando Henrique Cardoso (FHC) e qual a realidade dos mesmos ao final do mandato tucano.

Em 1995, no início do seu governo, FHC encontrou o Banco do Brasil com 119.380 funcionários em seu quadro, já na Caixa Econômica eram 65.076. Ao aplicar o perverso receituário neoliberal o governo tucano de FHC demitiu entre 1996 e 1998 mais de 50 mil empregados apenas nestes dois bancos nos famigerados Planos de Demissão Voluntária (PDVs). O sofrimento causado por este tratamento acabou por ocasionar mais de 20 suicídios na categoria bancária naquele período.


Vale lembrar que em setembro de 2009 o BB já contava com 114.432 funcionários e a CEF com 82.000. Porém é necessário um número ainda maior de funcionários para pôr fim à precarização do atendimento à clientela bancária.

No governo FHC foi aplicada ainda uma desonesta política salarial onde o salário-base da categoria bancária obteve apenas 3,73% de reajuste durante os oitos anos desse governo, sendo que no mesmo período a inflação chegou a 67,93% segundo dados do DIEESE.

Como se não bastasse, aplicou-se à época uma intransigente e desonesta postura anti-sindical que acabou com o diálogo com os trabalhadores e interditou a participação dos bancários nas campanhas salariais.

Ao adotar o princípio neoliberal de Ronald Reagan (ex-presidente americano) de que “o Estado não é a solução, é o problema”, o que fez FHC foi uma tentativa de enfraquecer o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal e prepará-los para a privatização. O destino dos bancos federais não seria diferente do que ocorreu com os bancos estaduais como o Banespa, Banerj, Baneb, Bandepe, entre outros que foram enfraquecidos e vendidos a grande maioria a preços subavaliados.

O ex-presidente diz ainda em sua entrevista que libertou o BB e a CEF da “politicagem”. Ora, quem não se lembra que aquele governo favoreceu o consórcio liderado pelo banqueiro Daniel Dantas nas privatizações do Sistema Telebrás com o uso de recursos dos Fundos de Pensão do BB e da Caixa (Previ e Funcef).

Portanto, Fernando Henrique Cardoso distorce os fatos sobre o tratamento dispensado aos bancos públicos no seu governo. No entanto, essa postura já era esperada. Afinal foi o próprio sociólogo presidente que anunciou aos quatro ventos para que o mundo esquecesse o que ele disse antes de assumir a presidência.

O nosso ex-presidente deveria mesmo era abandonar o chazinho inglês neoliberal de Margareth Tachter e passar a tomar alguns remedinhos para evitar problemas de memória curta.


Carlos Alberto Rodrigues Bezerra é Presidente do Sindicato dos Bancários de Irecê e Região

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