segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Reflexões sobre o poder

Ana Gabriela Pereira Guimarães*

A crise geral que acomete o mundo moderno em toda parte e em quase toda esfera da vida se manifesta diversamente em cada país, envolvendo áreas e assumindo formas diversas. Mas diante da crise, do caos, o que fazer? Acovardar-nos e cruzar os braços acreditando que tem que ser assim? Todas as grandes mudanças ocorridas no mundo são resultado da força, da coragem, da perseverança e da atitude daqueles que se fizeram verdadeiros líderes; parafraseando o companheiro Euclides Fagundes Neves em seu livro Bancos, Bancários e Movimento Sindical, “ ativistas que lutaram pela transformação da sociedade, que tombaram em diversas frentes de luta, acreditando num Brasil vivo, livre das amarras do grande capital internacional, independente.” Sonho? Utopia? Acreditem: possibilidades...

Ao analisarmos a História chegamos à triste constatação que a busca incessante pelo poder fez com que milhões de vidas fossem perdidas em todo o mundo, em nome de governos e lideranças ditadores e déspotas--- e a motivação para o uso da violência foi e é sempre a mesma: a manutenção do poder.

O filósofo italiano Nicolau Maquiavel, em “O Príncipe”, considerado um dos principais livros da ciência política moderna, afirma que, para manter os poder, um déspota deve governar seu Estado mantendo o equilíbrio entre o amor e o medo. “Mas desde que o amor e o medo dificilmente podem existir em conjunto, é muito mais seguro ser temido do que amado”, ensina. Neste sentido, tais ditadores seguiram o ensinamento à risca e fundaram governos que se mantiveram pela imposição do medo.

Mas Platão, em A República, já afirmava que “o homem tirânico é aquele que se comporta acordado, como se comportava durante o sono”. Ou seja, a paixão incontrolada pelo poder acaba por arrastar milhares a um sentimento de grandeza que legitima seus atos mais cruéis. Mas o eu geralmente se vê, é na verdade um  retrocesso no processo histórico e democrático de um país, cujas feridas  da violência marcam mais profundamente do que qualquer avanço econômico.

Faz-se necessário tocar nisso tudo para que esse conhecimento sirva a uma nova tentativa de implementar púberes poderes, mas à busca de focar-se em não deixar que se cometam mais ou menos equívocos, de observar as conseqüências das nossas escolhas, atitudes e posturas.

O traço político que caracteriza a modernidade é o abandono completo da tentativa de formulação de uma “nova humanidade”, algo em busca de transformações  expressivas e bruscas como propõe um revolução; o que não necessariamente esgota a possibilidade do processo de aperfeiçoamento e busca de um melhoramento político, econômico e social.

A justiça, a solidariedade, a dignidade e a comunhão de valores centrais ainda estão por vir, mas para isso, seria necessária a formulação de uma nova teoria, pois essas que já existem ou foram interpretadas de uma maneira errada, ou possuem disformismos que colocados em prática não possibilitam resultados coerentes. É mais reconfortante pensar desta maneira, refletir para formular novas saídas, do que acreditar que o ser humano não possibilitará saídas na medida em que se acredita que o grande problema da humanidade é a própria humanidade e não as teorias.

Pensemos nisso.


*Ana Gabriela Pereira Guimarães – Licenciada em História pela Uneb e ex-funcionária do Bradesco.

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