sábado, 28 de agosto de 2010

Prioridade no fundamental

J. Tramontini*

Durante os anos 1990 os bancários viram suas condições de vida sendo deterioradas ano a ano.

Assédio moral, demissões em massa, sobrecarga de trabalho, fraudes na jornada de trabalho, perdas de direitos foram algumas das coisas com que os bancários tiveram que conviver desde então.

Mas talvez a face mais visível dessa degradação seja o achatamento dos salários. O que para muitos era o sonho de uma carreira promissora passou a ser um drama. Ser bancário hoje significa trabalhar de forma desumana e receber em troca um salário que não é suficiente nem mesmo para o sustento, especialmente nos grandes centros. Ao mesmo tempo, os bancos, tanto públicos quanto privados, ampliam seus já obscenos lucros a cada balanço.

O piso salarial da categoria em 1996 equivalia a mais de quatro salários mínimos, hoje mal ultrapassa dois. Simultaneamente os lucros dos bancos aumentaram mais de 1.500%, ou mais de 15 vezes no mesmo período e a quantidade de bancários no Brasil caiu a pouco mais da metade do que era. As perdas salariais da categoria são de mais de 20% nos bancos privados e superiores a 60% nos bancos públicos, fruto da política de reajustes abaixo da inflação, quando existiram, e da instituição dos nocivos abonos, hoje chamados de participação nos lucros.

A política de arrocho salarial e diminuição de funcionários para aumentar, em escala, a lucratividade é visível e inconteste. Três, ao menos, foram os golpes contra os bancários desde a década de 1990. A redução drástica do número de funcionários, seja pelas demissões, seja pela terceirização; a redução do piso salarial, viabilizando a troca de funcionários de carreira por mais novos com salários menores; e o achatamento gradativo dos salários, derrubando a renda dos trabalhadores e quase eliminando a perspectiva de carreira nas empresas, além da retirada de direitos aos novos bancários.

É urgente, portanto, a reversão desse quadro. Se quisermos retomar a dignidade do trabalhador bancário e valorizar a categoria, é necessário que o centro das reivindicações seja a eliminação dessas injustiças.

Mais ainda do que índice de reajuste, a unidade de todos os segmentos da categoria, de bancos públicos e privados, respeitando-se as diferenças, o fortalecimento do movimento, a melhoria das condições de vida dos bancários e de suas famílias passa pela elevação do piso salarial, por mais contratações e pela reposição das perdas salariais.

*J. Tramontini é membro da Coordenação Nacional dos Bancários Classistas
 

 

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