quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Politizar a campanha

Emanoel Souza*

Lamentavelmente, a campanha presidencial está se transformando num “bate-boca” vazio e despolitizante. Na internet a situação beira ao ridículo. São centenas de mensagens com as mais sórdidas baixarias. Na grande imprensa o “escândalo” ou o factóide de ontem é abafado por um novo a cada dia.

A quem interessa esta situação? A Serra que não tem nenhum programa para apresentar ao país. É a tese de que “todo político é ladrão”, de que “é tudo a mesma coisa”. Ou seja, igualar todos por baixo e transformar a definição do voto pura e simplesmente em simpatia ou numa avaliação superficial do candidato.

Por isto, nestes últimos dias precisamos devolver a racionalidade ao debate eleitoral. Dilma representa um projeto político liderado por Lula, que começou a transformar o Brasil num rumo progressista, com soberania, distribuição da renda e inclusão social. Serra representa a volta ao projeto neoliberal e privatizante de FHC, subalterno aos ditames do imperialismo norte americano. E ponto.

Alguns dirão que estou sendo simplista. Mas desafio alguém a apresentar uma definição mais profunda do que esta. É exatamente isto que estará em jogo quando a nação for às urnas no domingo. Ou será que existe outro grande dilema para ser resolvido que não seja este? Penso que não.

Nestes poucos dias que faltam, quem pensa o Brasil e sonha com um país progressista e socialmente justo tem a tarefa de trazer o debate de volta para o campo político, para qual o projeto de país que queremos. Todos estamos chamados a exercer a militância cidadã, conversando com colegas, amigos e parentes com paciência, sem discussão, e de forma didática, mostrando os avanços econômicos e sociais do governo Lula e o que o país pode perder com a volta ao passado representado por Serra.

Convencer que o voto não é apenas um direito, mas também um dever e que por isto vale a pena encurtar o feriadão ou viajar a sua cidade, para quem vota no interior, para garantir o voto. O povo brasileiro tem demonstrado uma enorme capacidade de romper barreiras e quebrar tabus.

Há oito anos, as elites aterrorizaram a nação, dizendo que a eleição de um operário levaria o país ao caos. Elegemos Lula e ele conclui o governo com aprovação de mais de 80% dos brasileiros e tendo levado o Brasil a um novo patamar no panorama mundial.

Agora, as mesmas elites dizem que uma mulher não vai dar conta, mas estou confiante que na segunda-feira todos estaremos comemorando a eleição de Dilma, a primeira mulher presidente na história deste país.

*Emanoel Souza é jornalista e presidente da Federação dos Bancários da Bahia e Sergipe

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