sexta-feira, 24 de outubro de 2014

A "bolsa família" dos banqueiros completa 19 anos


Hermelino Neto*

O governo do presidente da República Fernando Henrique Cardoso, do PSDB, além de ter sido marcado pelas mazelas como a fome, o desemprego a exclusão social e as privatizações, foi também o governo do favorecimento aos "mais necessitados" os bancos em dificuldades.

Matéria publicada pelo jornal Correio Braziliense em 26/11/99, revela que a ajuda financeira dada aos bancos em dificuldades pelo Banco Central a partir de 1995, foi equivalente a 111,3 bilhões de reais, conforme relato dos economistas Pedro Sainz e Alfredo Calcagno da Comissão Econômica das Nações Unidas para América Latina.

Essa farra teve iniciou em 1995, quando foi criado pelo governo de Fernando Henrique, o Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional (Proer).

Na verdade, os recursos do Proer foram distribuídos para salvar os bancos falidos recebendo em troca títulos “podres” como forma de pagamento e para dar garantia a grupos estrangeiros para comprar bancos brasileiros.

O Banco Nacional, cuja herdeira, Ana Lucia Magalhães Pinto era casada com o filho de FHC, primeiro a ser beneficiado pelo Proer, recebeu uma linha de crédito de R$ 6 bilhões de reais para pagar as suas dívidas antes que o fosse vendido. (“o Unibanco, hoje Itaú, adquiriu "o filé", a parte saudável da instituição, deixando a "massa  falida" para o contribuinte”). O jornalista Palmério Doria, diz que essa incorporação é tida como a maior fraude financeira da história do Brasil. Uma transação em família.

Outro banco que passou pelo mesmo processo de ajuda financeira foi o extinto Banco Econômico.

Esse foi o banco do Dossiê da Pasta Rosa, cujo conteúdo continha documentos que comprovavam doações milionárias feitas pelo Econômico ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) da Bahia e a políticos. A documentação do dossiê indicava a existência de um sistema organizado de financiamento eleitoral ilegal, com base na prática de caixa 2. À época, o Banco Econômico, principal financiador da campanha do PFL (atual DEM) e a de FHC e a Federação Brasileira de Bancos (FEBRABAN) fizeram remessas milionárias para as campanhas eleitorais de 49 candidatos no pleito de 1990.

Quem encabeçava a lista dos políticos que recebia dinheiro do banqueiro era o então candidato ao governo do estado da Bahia, Antônio Carlos Magalhães, que teria embolsado sozinho 1.114 milhão de dólares do Banco Econômico para a sua campanha. 

Outros bancos também receberam recursos: Bamerindus, um dos maiores colaboradores da campanha de Fernando Henrique, que deu dinheiro e emprestou jatinhos para viagens do candidato à presidência, Banorte, Mercantil de Pernambuco e até a Caixa Econômica Federal. 

No caso da CAIXA o jornalista Aloysio Biondi, no livro O Brasil Privatizado afirma que no governo de FHC a CAIXA foi obrigada a assumir bilhões de prejuízos com a compra das carteiras de habitação de bancos falidos.  Outro assalto aos cofres públicos foi a compra de ativos "podres” de grandes bancos pela CAIXA.

A matéria do Correio Braziliense cita ainda outro Programa de distribuição de recursos públicos foi o Programa de Reestruturação dos Bancos Estaduais (Proes), cuja ajuda chegou a 60 bilhões de reais.  Só para o Banespa foram 20 bilhões.

Depois de muito tempo em silêncio, o sistema mais lucrativo do Brasil “participa do processo eleitoral". Para Palmério Doria o fato de o banco Itaú entrar no jogo político e participar de uma campanha à presidência da república tem um único objetivo: Evitar o pagamento da multa gerada no processo de fusão entre o Itaú-Unibanco, no valor de R$ 18 bilhões e 700 milhões devidos à Receita Federal em impostos, que até então não foram recolhidos. Segundo Doria, esse é o verdadeiro motivo do apoio do Itaú à campanha de 2014. 

Uma coisa é certa, o sistema financeiro está com saudade da "bolsa banqueiro" e dos entreguistas do PSDB.

Quanto ao Proer, desapareceu do noticiário, caiu no esquecimento coletivo e descansa no cemitério de escândalos do governo Fernando Henrique Cardoso.

*Hermelino Neto é secretário-geral da Federação dos Bancários da Bahia e Sergipe

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