sábado, 25 de outubro de 2014

O governo do PSDB no BNB - o terrorismo como forma de administrar


Geraldo Galindo*

Ha poucos dias da eleição me dirijo aos colegas do BNB, especialmente aos mais novos, já que os mais antigos viveram de perto o tenebroso período em que o PSDB dirigiu o país e o BNB. É necessário que todos saibam o perigo que corre o Banco e  consequentemente o funcionalismo. O que aconteceu no Banco nos oito anos da gestão do PSDB não pode ser esquecido, ao contrário, deve ser lembrado permanentemente para que nunca mais tenhamos de passar por tão dramática situação. 

Eu costumo repetir que, para nós trabalhadores, é fundamental  o ambiente político onde se dá a luta por melhorias salariais e condições de trabalho e é nesse aspecto que quero concentrar minha argumentação.  Fazer luta em uma ditadura  é infinitamente  pior que fazê-la num ambiente de mais democracia. A depender do tipo de governo, é mais ou menos difícil encaminharmos nossas lutas. 

No período do PSDB, os movimentos sociais brasileiros foram criminalizados, as lideranças desses movimentos  perseguidas, processadas, presas, demitidas,  alvo de uma furiosa investida das classes dominantes brasileiras. Para o PSDB, os movimentos sociais devem ser estrangulados,  na medida em que a sociedade idealizada por eles, não pode haver espaço para contestações. Seguidores da linha adotada por Ronald Reagan e Margaret Thatcher,  de que movimentos sociais devem ser esmagados como forma de facilitar a implantação da  política neoliberal, os adeptos dessa linha a  materializaram com requintes de crueldade no   Banco do Nordeste do Brasil.  

O candidato do PSDB disse  no dia 19/10, no debate da Record,  que vai fortalecer os bancos públicos e que para as diretorias não haverá indicação política. Mentira. Mentira. FHC se elegeu com esse mesmo discurso e deixou os bancos oficiais em frangalhos, absolutamente sucateados. No Banco do Nordeste nomeou um tirano de triste memória, o ditador Byron de Queiroz. Quem o indicou foi Tasso Jereissati, que agora novamente se elege e caso Aécio vença,  será o político a se apropriar do BNB como uma entidade privada,  igual ao que   fez no passado. 

Caso você tenha  alguma dúvida do que os neoliberais  pensam sobre os bancos públicos,   ouçam o áudio do link que segue:  http://www.viomundo.com.br/denuncias/o-que-arminio-fraga-que-seria-ministro-da-fazenda-num-governo-aecio-disse-sobre-os-bancos-publicos.html. Armínio Fraga, já nomeado ministro da fazenda num eventual governo de Aécio diz não saber o que vai sobrar dos bancos oficiais – “talvez, não muito” -, afirma.  Se para os grandes bancos públicos ele pensa dessa maneira, imagine para nós do BNB, um banco de porte médio?  E para ajudar os colegas a entender direito as posições políticas do PSDB , ofereço aqui  um relatório de  como Aécio votou  em relação a pauta dos trabalhadores no senado: http://tijolaco.com.br/blog/?p=22199. Sempre contra.  

Entrando pra valer no  período de terror no BNB, não havia o mínimo espaço de diálogo  das entidades representativas dos funcionários com o preposto de FHC e Tasso Jereissati. E essas entidades deveriam ser esfaceladas para que não houvesse nenhum tipo de contestação aos mais cruéis  ataques a uma categoria de trabalhadores sérios e honrados. Logo que chegaram, iniciaram o processo de desmonte do banco, que assim como os demais, estava na fila para serem privatizados ou extintos.  A ordem era fechar agências, demitir  funcionários e concentrar financiamentos aos amigos do senador cearense.  

O BNB saiu dos cadernos de economia e foi para  as páginas policiais e de escândalos políticos, tamanha era a corrupção patrocinada pelos agentes do PSDB.  Aqui na Bahia, as decisões sobre as operações de crédito passaram a ser feitas pelo gabinete do senador ACM. Os financiamentos com parecer desfavorável do corpo técnico  eram solenemente ignorados. O Sindicato dos Bancários da Bahia teve acesso ao computador do então superintendente da época e vazou para a Folha de São Paulo uma lista de centenas de operações aprovadas pelo PFL/DEM. O banco foi literalmente tomado por uma quadrilha de tiranos e corruptos que usavam a mais feroz repressão para impedir que viesse a público as suas falcatruas e a perseguição ao corpo funcional.  

A resistência a essa gente não foi fácil. Os delegados sindicais que existiam anteriormente nos acordos coletivos com estabilidade no emprego  foram cassados; o diretor representante dos funcionários, da mesma forma, a AFBNB teve o repasse das mensalidades suspensas, seus dirigentes perderam a liberação; vários dirigentes sindicais, entre os quais o que agora se dirige a você, foi retirado da folha de pagamento e também perderam o direito à liberação; não era permitida a distribuição de jornais sindicais nas unidades, onde capangas armados estavam  de prontidão para impedir a atividade sindical; centenas de colegas, com 20, 25 anos de banco foram colocados no olho da rua;  colegas eram  transferidos de um estado para outro de uma hora pra outra, casais de funcionários do BNB eram obrigados a pedir demissão porque eles transferiam um marido ou esposa a  algum lugar bem distante do outro; as pautas de reivindicações não eram recebidas, não existiam negociações, foram oito anos de arrocho salarial ininterruptos; funcionários que participassem de assembleias eram perseguidos com demissão ou transferências; era proibido até mesmo a leitura de jornais do sindicato. 

Além das centenas de demissões sem justa causa, outras centenas de colegas foram descomissionados arbitrariamente; as duas horas extras incorporadas ao salário foram retiradas unilateralmente,o que provocou uma brusca alteração no padrão de vida das pessoas de uma hora para outra; o nosso PCS  que tinha interstícios de 4, 8 e até 12% foi jogado no lixo; as promoções que eram anuais por merecimento e por antiguidade a cada dois anos foram anuladas;  não existia concorrência para as funções em comissão, não se cumpria decisões judiciais. Os carrascos promoveram o mais cruel ataque aos  aposentados reduzindo a renda  deles pela metade. Não satisfeitos,  quebraram a CAPEF,  mutilaram a Camed e dilapidaram os BNB Clubes.  Não se pagava PLR. Nas  campanhas salariais, onde nem a recomposição da inflação tínhamos direito, os carrascos creditavam uma merreca de abono que pouco servia a uma legião de endividados nas mãos de financeiras e agiotas. No período cortaram mais de 10 benefícios constantes de acordos coletivos anteriores.  

Manifestações nas proximidades do banco eram reprimidas com policiais que agrediam e prendiam os participantes. Fazer greve, nem pensar. O  medo generalizado, provocado pela brutal repressão, impedia a participação dos colegas.  Nas unidades do Banco reinava o clima de terror, todos receosos de serem  o próximo demitido, ter a comissão cortada ou transferido arbitrariamente. Nesse cenário de horror,  muitos adoeceram, enlouqueceram, cometeram suicídio. Se você colega novo, acha que há algum exagero nesses relatos, consulte um colega mais antigo. O nível de perseguição chegou ao inimaginável quando  eles transferiam colegas apenas pelo fato de serem amigos ou parentes de sindicalistas. 

Em que pese esse ataque frontal à liberdade de organização dos trabalhadores,  conseguimos sobreviver.  E derrotamos nas urnas os fascistas que nos impuseram esse tipo de descalabro. É claro que não vivemos atualmente  nos melhores do mundo.  Muitas críticas  e restrições que são feitas ao atual governo e às diretorias do banco que vieram depois têm procedência, mas é inegável que temos hoje muito mais liberdade pra fazer a luta. Já são 11 anos seguidos fazendo greves, quando isso era quase  impossível na ditadura do PSDB. 

Se tínhamos um banco em vias de extinção  com demissões em massa, saímos de pouco mais de 3,7 mil funcionários em 2002 para mais de 6,9  mil em 2014; foram abertas 106 novas agências, saindo de  174  para 280, com previsão de mais expansão da rede caso não haja retrocesso político. Para se ter uma ideia de como houve uma mudança de visão sobre o papel do banco, apenas no ano de 2013 o volume total de contratação que irrigou a economia nordestina chegou a R$ 23,2 bilhões, superior a todos os oito anos do PSDB,  que totalizou  R$ 18,1 bilhões de 1995 a 2002. De 2003 a 2013 as contratações através de todas as fontes disponíveis  somaram mais de R$ 145 bilhões, contribuindo para que  a elevação do PIB do nordeste tenha média superior ao restante do país.
 
As dezenas de milhares de novos funcionários no BNB, CEF e BB não seriam possíveis se continuasse o processo de desmanche   que  ameaça retornar. E só  houve por uma visão política sobre o papel de bancos públicos absolutamente distinta da de Aécio e Armínio Fraga.  No BNB já foram realizados quatro concursos públicos, uma histórica  bandeira das entidades sindicais.  Hoje voltamos a ter delegados sindicais e representantes da AFBNB nas unidades, temos mais dirigentes sindicais pra fazer as campanhas salariais, enfim, há mais liberdade pra lutar.
 
Não podemos retroceder. O melhor cenário para os trabalhadores do BNB  almejarem um futuro promissor para o nordeste e por melhores condições de trabalho e salariais é derrotar novamente os responsáveis pelo brutal sofrimento a que foram submetidos os milhares de colegas nossos no passado, inclusive em respeito e homenagem a eles que dedicaram  suas vidas à edificação desse patrimônio do povo brasileiro e nordestino. Portanto, devemos impedir o retorno dos tiranos,  elegendo Dilma presidente e no governo dela, continuar a luta pela defesa e fortalecimento do banco,  pela valorização dos funcionários e ampliação dos direitos da classe trabalhadora e do povo. 
 
*Geraldo Galindo é funcionário do BNB, diretor do Sindicato dos Bancários da Bahia e da AFBNB

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