sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

BB: Por um Caref sem mordaça


Nesse início de 2015, o Banco do Brasil chama o funcionalismo a assumir um “novo posicionamento estratégico”, ressaltando a sua “essência”: ser um banco de mercado de espírito público. Estabelece como principal objetivo ser o Banco mais relevante e confiável para a vida dos clientes, acionistas, funcionários e para o desenvolvimento do Brasil.

Refletir sobre esse objetivo permite verificar o potencial do BB, mas, também as contradições, tão presentes nas pressões, assédios e sucateamento vividos pelo funcionalismo, o que mostra diariamente como o Banco está longe de alcançar esse objetivo. Fica claro nas escolhas do BB a relevância dos acionistas e o desprezo reservado aos clientes e, principalmente, ao seu funcionalismo, limitando, e muito, seu secular papel no desenvolvimento do Brasil.

Basta reparar em como a direção do BB conduz o processo eleitoral do CAREF. A representação dos funcionários no Conselho de Administração é uma grande conquista para os trabalhadores. Mas, ao invés de valorizar a participação e assegurar a voz do funcionalismo nos destinos do Banco e nas relações de trabalho; aproveitando nossas vivências e experiências nas decisões da empresa, identificando problemas que afligem os funcionários, o CAREF é condicionado a ser mero ouvinte, tutelado por condição. Faz-se urgente a necessidade de alterar a própria legislação a fim de garantir uma atuação democrática do representante dos funcionários. Pois, de acordo com lei 12.353/2010, o representante dos funcionários não participa dos debates de temas referentes às relações de trabalho. É uma mordaça.


Os problemas são muitos: o sucateamento da CASSI e as sucessivas medidas que retiram do BB responsabilidade no seu financiamento; as condições de trabalho; o assédio moral; a lentidão com que se implementam melhoras nas condições de trabalho para o funcionalismo prover melhorias no atendimento; a insuficiente dotação das agências; o preenchimento de claros, que só anda a base das greves; a má distribuição de recursos, humanos e financeiros, entre diretorias e rede de agências; e a dinâmica com que muitas vezes responsabiliza-se injustamente o(a) funcionário(a) por erros e práticas que advém das omissões e erros do próprio BB, são alguns exemplos. Nossa tecnologia é competitiva no mundo, somos qualificados, mas vivemos com medo, a esconder o choro na retaguarda, ou a raiva, que se volta contra o colega igualmente explorado ou o cliente. Assim se começa a sonhar em sair do BB. Poderá o BB dar certo assim? Ser bancário tem de rimar com medo e infelicidade? Por que adoecemos? Por que a depressão, a síndrome do pânico, os pesadelos? Somos “líderes” sem a dignidade do salário?

É preciso, no mínimo, valorizar o trabalho bancário, de inegável importância para os avanços do Brasil e tão pouco reconhecido. Bancarizamos a população, ofertamos às empresas o crédito, a educação financeira e apoiamos sonhos antes impossíveis: a casa própria, o carro, a educação, uma vida melhor. Nosso representante é proibido de debater nossos problemas cotidianos. Esta legislação é arcaica e ditatorial.

Estes são alguns pontos destacados para a intervenção firme de um(a) funcionário(a) eleito(a) por seus pares, afinal, pelo menos em tese, vivenciaria tais situações no seu dia a dia.

Mas esse debate está a ser evitado a todo custo no processo eleitoral, gerando a sensação universal de ser um processo para inglês ver. Exemplo disso são os critérios de elegibilidade, supostamente “objetivos”, que reproduzem as injustiças funcionais para interferir na seleção de candidatos, o que agrava o papel meramente homologatório a que se relega o CAREF. Os critérios refletem a postura autoritária e antidemocrática da Direção do Banco do Brasil.

Por isso nós denunciamos esse vício eleitoral que “limpa o terreno” para que o resultado dessas eleições seja mais do mesmo. Tais critérios não conferem legitimidade aos representantes, mas abrem caminho para que manobras, perseguições, o assédio moral tão comum sejam o comitê prévio de seleção para aqueles que possam apresentar-se candidatas(os) a CAREF, compondo um triste panorama de silêncio que lhes amordaça. E ameaçando sua representatividade como verdadeiros porta-vozes do funcionalismo.

Assim como está, caberá ao CAREF um papel muito menor que se exige, tornando esse processo um simulacro de democracia, a distorcer a participação no Conselho de Administração, ao invés de valorizá-la.

Desse modo, alertamos os funcionários do Banco do Brasil para a importância da eleição em curso, e quebramos o clima de mansidão com que se quer revestir este processo eleitoral, excluindo de antemão exatamente vozes críticas que renovariam esse processo. A nossa participação altiva e crítica é fundamental, é preciso nos envolvermos ativamente na disputa, exigindo o compromisso com uma plataforma clara de posições que um(a) CAREF deve assumir com o funcionalismo, dialogando com a categoria e criando um conselho de representantes para fomentar a fim de estabelecer o diálogo e a defesa dos interesses dos trabalhadores.


PLATAFORMA PARA TERMOS UM(A) CAREF DE FATO A FAVOR DOS FUNCIONÁRIOS:


- fortalecimento do interesse público nas ações do Banco do Brasil. Diante do aprofundamento da crise e do ajuste fiscal promovido no primeiro ano do segundo mandato da Presidenta Dilma, o BB precisa ser mais banco público para contribuir com o Brasil. Isso significa uma política de redução dos juros e redefinição das metas no cenário adverso que se coloca. O funcionalismo quer seguir ajudando o desenvolvimento do país, não aceitaremos nos tornar o flagelo dos clientes, submetidos a metas irrealizáveis, cenário econômico adverso e a uma política de juros predatória;

- o BB deve ter uma relação diversa com o funcionalismo, baseada numa postura ativa na valorização do Piso Salarial e da Remuneração Fixa, que conferem dignidade aos funcionários e que não os submeta a uma relação predatória com os clientes, estando a mesma ameaçada num ambiente geral de ampliação dos juros e queda do crescimento;

- o combate ao assédio moral não se resume à punição dos maus profissionais, deve se estender à lógica das metas e dos processos internos no Banco e à relação com os próprios gestores, eles também vítimas de brutal pressão por parte da empresa. Isso se estende à maneira com que as Instruções Normativas mudam, seguidamente, colocando sempre o(a) funcionário(a) como culpado, isentando a empresa das responsabilidades que lhe cabem pela própria lógica de lucro a qualquer preço;

- o compromisso do(a) CAREF deve ser com a categoria e com o futuro do BB.Não se pode confundir o legítimo sigilo com uma justificativa para calar e afastar o(a) nosso(a) representante da lealdade que deve ter com os colegas. Isso exige que se comprometa com o cotidiano dos funcionários, devendo ser acessível às denúncias do funcionalismo como sua representação, com condições, sem represálias nem temores, para que o funcionalismo seja ouvido não só nas greves, mas no dia a dia do Banco do Brasil.


CTB - Bancários
Intersindical - Bancários

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