sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Greve histórica dos bancários completa 30 anos

Em setembro de 1985, o Brasil testemunhou a maior greve nacional dos bancários, que completa 30 anos. No momento de mais uma campanha salarial, a lembrança desta data serve como inspiração de luta para a categoria bancária. Diante de um processo inflacionário que provocava perda mensal de 10% nos salários, uma das principais bandeiras dos bancários foi o reajuste trimestral.

Em 28 de agosto, Dia dos Bancários, os bancos fecharam as portas em todo o país e os trabalhadores foram às ruas para protestar. Em Salvador, cinco mil bancários se reuniram na Praça Municipal para comemorar o seu dia e manifestar a disposição de parar. Já em São Paulo, foram 30 mil que saíram em passeata, na maior manifestação realizada pela categoria. A mobilização foi preparatória para uma greve histórica, que fechou as agências em todo o país de 10 a 12 de setembro de 1985. A paralisação mobilizou cerca de 500 mil trabalhadores.

Foram três dias de grande adesão à greve, que surpreendeu os banqueiros e levou a atenderem quase que integralmente as reivindicações. Para Euclides Fagundes, autor do livro Bancos, Bancários e Movimento Sindical, "a campanha salarial daquele ano virava a página da história recente da categoria e recomeçavam as greves após 22 anos de repressão e autoritarismo".


Greve na Caixa – O ano de 1985 também foi marcado pela greve de advertência na Caixa Econômica Federal. A paralisação em 30 de outubro, com adesão de quase 100% dos empregados, garantiu a conquista da jornada de seis horas, o reconhecimento dos empregados como bancários e seu consecutivo direito à sindicalização. A partir daí se iniciou uma tradição no movimento dos bancários da Caixa de deflagrar greves nacionais amplas e unificadas.

Depois de outubro, houve a aprovação pelo Congresso Nacional do projeto de lei 4.111-4, que estabelecia a jornada de seis horas diárias para os empregados da Caixa A lei foi sancionada pelo então presidente José Sarney, em 17 de dezembro daquele ano. No dia seguinte, o Diário Oficial da União trouxe ainda a garantia do direito à sindicalização a todos os empregados do banco, viabilizada com a alteração do parágrafo único do artigo 556 da Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT).

O movimento de 1985 foi deflagrado com base na mobilização dos auxiliares de escritório, cuja reivindicação principal era para que fossem enquadrados como escriturários na carreira técnico-administrativa. Os dois profissionais exerciam as mesmas funções, embora o piso para o auxiliar correspondesse à metade do salário de ingresso previsto no Plano de Cargos e Salários (PCS) da época.

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