sexta-feira, 9 de outubro de 2015

A sobrevivência da CASSI

Durand Noronha*

A diretoria do Banco do Brasil vem tomando atitudes que não são apenas reprováveis em termos de ética na relação para com seus funcionários, principalmente os aposentados (inclusive chamando-os pejorativamente de pós-laborais), pois depois de uma vida inteira dedicada à empresa, muitos passando mais tempo no ambiente laboral do que até com a própria família, ela resolve descartá-los como se nunca tivesse tido compromisso algum com esses colegas.

Bem, a história da CASSI diz que ela foi fundada por um grupo de funcionários em 1944, sendo hoje uma das maiores entidades de autogestão de plano de saúde sem fins lucrativos. A Caixa de assistência passou por diversas fases até chegar o momento de assumir integralmente o atendimento à saúde de todos os funcionários e seus dependentes, e tendo a autonomia administrativa em relação ao BB, mas com uma dependência financeira que agora o Banco quer descartar.

Desde muito tempo o Banco nunca se preocupou com a CASSI, apenas em situações que lhe interessavam como, por exemplo: 1) alegar aos concursados que o Banco oferecia uma caixa de assistência que é um diferencial no mercado de trabalho; 2) usá-la como moeda de troca em períodos de campanha salarial; 3) usar superávits da PREVI para cobrir déficits que deveri-am ser assumidos pela empresa; 4) não levar em consideração que alguns adoecimentos dos funcionários são decorrentes de doenças laborais e/ou por situações traumáticas, como rou-bos, assaltos e sequestros; 5) "esquecer" de computar os anos sem reajustes salariais dos funcionários e não fazer recolhimentos sobre abonos e outras verbas.

Em determinados momentos, nós éramos o maior patrimônio da empresa, hoje os colegas aposentados são considerados um fardo.

O Banco do Brasil, através de sua diretoria, vem tramando de forma maquiavélica acabar com o princípio da solidariedade que sempre permeou as relações da CASSI e seus associados. Para tanto, usa argumentos que os colegas menos experientes ou desavisados poderão acatar como verdadeiras as premissas levantadas. Dentre eles está que: 1) vocês são novos, eles são mais velhos e gastam mais; 2) vocês não têm filhos; 3) vocês não são casados; etc. Ora, meus colegas, todos nós passaremos por todas estas fases na vida, mais cedo ou mais tarde.

O Banco vem postergando a apresentar uma solução e, justamente agora, em época de cam-panha salarial, apresenta uma proposta no mínimo estapafúrdia, pra não dizer indecente. Começam a aparecer mensagens via intranet, nos terminais utilizados pelos funcionários, os "maravilhosos" valores que serão repassados para sanar o problema momentâneo, mas que não será a solução em definitivo.

Portanto, caros colegas, como estamos entre aqueles que possuímos um pouco mais de estrada sob nossos pés, pedimos que pensem com calma e vislumbrem o futuro que dese-jam para vocês e seus familiares. Não aceitem esses argumentos falaciosos e enganadores. Vamos manter o princípio da solidariedade na CASSI e exigir que o Banco assuma os deveres referentes à saúde de todos os seus funcionários.

*Durand Noronha é funcionário do Banco do Brasil e diretor de Comunicação do Sindicato dos Bancários de Sergipe

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