quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Greve dia 1: Mais de 6 mil agências fechadas

Em todo o Brasil, cerca de 6251 agências de bancos públicos e privados, além dos centros administrativos, foram fechadas no primeiro dia da greve nacional dos bancários.

A paralisação, que começou na terça-feira com a indignação dos bancários diante da proposta de 5,5% de reajuste e 2,5 mil de abono, apresentada pela Federação Nacional dos bancos (Fenaban), tende a crescer de acordo com a categoria.

“Os banqueiros negaram todas as nossas reivindicações e ainda apresentaram uma proposta rebaixada de reajuste. Estamos respondendo a esta provocação com uma greve que começou forte e deve crescer nos próximos dias. Algumas bases sindicais já fecharam 100% das agências hoje e outras estão bem próximas disso”, ressaltou o presidente da Federação dos Bancários da Bahia e Sergipe e membro da Coordenação Nacional da CTB-Bancários, Emanoel Souza.



Para o dirigente a unidade do movimento é uma resposta à postura desrespeitosa dos bancos, que mesmo com lucros bilionários e crescentes apresentaram uma proposta com índice menor que os 9,88% de inflação do período, acrescido de um abono de R$ 2.500, que não gera ganhos reais ao salário, pois não repercute em outros benefícios, nem em negociações salariais futuras.

A greve continua nesta quarta-feira. De acordo com os sindicalistas, a categoria está disposta a negociar, mas deve que ser apresentada uma proposta que valorize os trabalhadores, que reponha a inflação, que continue o ciclo de ganho real, que distribua parte dos seus lucros, que tenha salvaguardas para os nossos empregos, que garanta igualdade de oportunidades para todos e, por fim, proteja os trabalhadores do assédio moral, das metas abusivas e do adoecimento.

Lucros e descaso

Apesar da crise econômica mundial, os bancos brasileiros  lucraram nada menos do que R$ 36,3 bilhões no primeiro semestre de 2015 e reajustaram a remuneração dos executivos em até 81%. Um diretor chega a ganhar R$ 1 milhão. Enquanto isso, oferecem reajuste salarial de 5,5% aos bancários. O índice impõe perda de 4%.

Além do descaso com os trabalhadores do sistema, as instituições também não ligam para os clientes e ultrapassam todos os limites com a cobrança de juros. As taxas no Brasil são as maiores da América Latina. Quem recorre ao rotativo do cartão de crédito paga 403,5% de juros ao ano. 

"As taxas são elevadíssimas. Trabalhamos muito para realizar o pagamento dessas cobranças e não vejo retorno. A insegurança está aí para comprovar. Somos reféns do medo", afirmou a cliente Antônia Coutinho, correntista do HSBC.

A falta de funcionário também chama a atenção dos clientes e muitos se assustam quando informados sobre o número de demissões entre janeiro e agosto. No total 6.054. Sem empregados para agilizar o atendimento, as agências vivem lotadas. 

"Os bancos estão sempre cheios. Não tem funcionário suficiente para realizar o atendimento. Muita gente quer trabalhar, mas as empresas não contratam", diz Maria São Pedro Silva, cliente do Bradesco.

Para a categoria bancárias, as organizações financeiras podem fazer mais por todo o conjunto da sociedade, mas se negam. “Portanto, bancários e a população se unem no enfrentamento”, ressaltam em nota.

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