sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Greve dia 3: 9 mil agências fechadas com adesão recorde dos bancários

Em greve nacional desde a última terça-feira (06), os bancários têm dado um exemplo de mobilização e unidade. O segundo dia de paralisação, nesta quarta-feira (7), foi marcado pelo crescimento do movimento em todo o Brasil. Nos 26 Estados da Federação e no Distrito Federal, 8.763 agências e centros administrativos permaneceram fechados durante todo o dia.

Em São Paulo, a greve já se tornou uma das maiores dos últimos anos, com a adesão de em média 50 mil funcionários. De acordo com um balanço feito pelo Sindicato, cerca de 616 locais de trabalho, sendo 23 centros administrativos e 593 agências fecharam no segundo dia.

No entanto, se por um lado os funcionários estão mobilizados, por outro sofre como nunca com o assédio moral e as práticas antissindicais. Funcionários dos centros administrativos são forçados a chegar de madrugada e dormir no local de trabalho.


O caso ilustra o que ocorre em diversas instituições financeiras de acordo com denúncias que chegam diariamente ao Sindicato dos Bancários de São Paulo. Tanta intimidação não freia o movimento grevista da categoria, pelo contrário, fortalece.

“Tivemos uma adesão 43% maior que o segundo dia de greve do ano passado. A categoria não aceita essa proposta desrespeitosa e a tendência da paralisação é crescer a cada dia. O silêncio dos bancos comprova o desrespeito com os trabalhadores e à população”, afirmou o cetebista Alex do Livramento, do Sindicato dos Bancários de São Paulo.

Em Chapecó, Santa Catarina, até agora, 34 agências estão paralisadas. A expectativa é de que essa seja uma das maiores paralisações da categoria nos últimos anos. Isso porque a proposta apresentada pelos bancos sequer cobre a inflação e representa perda real para os bancários.

O presidente do Sindicato dos Bancários de Chapecó e Região, Sebastião Araújo, afirma que a mobilização está forte e nesta semana mais agências vão aderir à greve. “Muitas pessoas estão apoiando o movimento e a greve vai crescer nos próximos dias”.

No segundo dia da greve, em todo o país, os sindicatos e federações de bancários realizaram passeatas de protestos para pressionar a Fenaban a apresentar uma contraproposta de reajuste salarial. Em Aracaju, a concentração da passeata foi em frente a Caixa Econômica Federal, agência Serigy, localizada no Calçadão João Pessoa.

A presidenta do Sindicato dos Bancários de Sergipe (SEEB/SE), Ivânia Pereira, diz que o movimento grevista está forte. "Em Sergipe, nesses dois dias, a greve atingiu mais de 60% dos bancos públicos e privados. Estamos realizando uma força tarefa para ampliar às adesões", afirma.

Sergipe tem cerca de 230 unidades bancárias (entre agências e pontos) e aproximadamente 3.000 funcionários de instituições financeiras dos bancos públicos e privados. A greve atingiu cerca de 150 agências.

Os funcionários do Banco do Estado de Sergipe (Banese), que tem 75 agências (agências pontos de atendimento) aceitaram proposta apresentada pelo banco estadual. Assim, o Banese está funcionando normalmente, fora da greve.

Na Bahia nem a chuva afastou as pessoas da passeata em apoio à greve dos bancários e contra a ganância dos bancos, que exploram funcionários e clientes. A concentração foi no Sindicato da Bahia, nas Mercês. A passeata seguiu até o Relógio de São Pedro.

Na região a paralisação conta com uma rede de solidariedade, reforçada na mobilização. Estavam presentes Conam (Confederação Nacional das Associações de Moradores), FABS (Federação das Associações de Bairros de Salvador), MDMT (Movimento em Defesa da Moradia e do Trabalho) e a CSP (Central Sindical e Popular) e Unegro.

"A insensibilidade dos banqueiros fez os trabalhadores cruzarem os braços", ressalta o presidente do Sindicato da Bahia, Augusto Vasconcelos. Posição reforçada pelo presidente da Federação da Bahia e Sergipe, Emanoel Souza. " A greve é contra a ganância dos bancos".

Os números comprovam a afirmação de Emanoel de Souza, em três anos, as instituições aumentaram as tarifas em 169%. Os juros do rotativo ultrapassam os 400% e os do cheque especial beiram os 300%.

Apesar da pressão da categoria, até o momento a Fenaban não sinalizou nenhuma data para apresentar uma proposta justa para os trabalhadores.

A categoria reivindica reajuste salarial de 16% (reposição da inflação mais 5,7% de aumento real), PLR, piso e vales maiores, fim das metas abusivas e do assédio moral, medidas de segurança, 14º salário entre outros itens. No entanto, o setor que mais lucra no país ofereceu reajuste ilusório de 5,5%, o que representa perda de 4% diante da inflação, e um abono de R$ 2,5 mil que nem é este valor mesmo já que sobre ele incide imposto de renda e INSS. E é pago uma vez só, ou seja, não tem efeito nos cálculos do FGTS, 13º salário ou da aposentadoria.

Cinthia Ribas - Portal CTB

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